O REI MORREU... VIVA O REI!

UM APLAUSO EFUSIVO ÀS GRANDES NOVIDADES DA VIDA.

Boa Páscoa! (clicar por favor)

há 1 mês -
A fotografia não é minha mas, serve para ilustrar o que me tem perturbado a alma:
Um amor que vence, sempre.

A fotografia não é minha mas, serve para ilustrar o que me tem perturbado a alma:

Um amor que vence, sempre.

A mulher infiel de Pedro (alojamento)

A Vila de Sintra é a terra do imaginário, do secreto, do pausado…
e o meu companheiro de passeios sabe isso muito bem. 

A Vila de Sintra é a terra do imaginário, do secreto, do pausado…

e o meu companheiro de passeios sabe isso muito bem. 

Como rir?

A Alegria que Jesus nos propõe não consiste nem numa fuga à realidade, nem numa resignação contente à mesma. Como rir?

Um piano

Um piano

(Tiago passeia no parque e aborda um estranho desconhecido.)
Tiago: Desculpe, diz-me as horas?
Desconhecido: Sorry?
T: As horas, por favor.
(Começa a crescer um som de passos.)
D: Desculpe, mas não falo inglês...
T: Horas, só as horas.
D: Está a ser impertinente...
T: Eu só queria as horas!
(Tiago demonstra impaciência e inquietação.)
D: As horas não lhe pertencem!
(Cai um pingo de suor pela testa abaixo de Desconhecido.)
(Tiago, subitamente, aparenta uma calma celestial, e sorri. Com naturalidade, e ainda a sorrir, tira a pistola de um dos bolsos do casaco e aponta-a ao pé direito de Desconhecido, que fica imóvel, aterrado.)
T: As horas.
D: Não, por favor...
(Tiago faz menção de disparar.)
D: Não lhe posso dar as horas, por favor, pense em todos os que o rodeiam, as consequências seriam desastrosas!
T: Ahahahahah! Por quem te tomas, Desconhecido? Bem sabes que as horas nos pertencem! Queremos as tuas horas.
(Desconhecido olha em volta.)
D: Que... Queremos? Tu e quem?
(O som de passos enche todo o ambiente.)
T: Todos. Todos querem o teu relógio.
D: Vocês não sabem o que pedem...
(Uma multidão entra em cena, vinda de todas as direcções, dirigindo-se a Desconhecido.)
T: Acabou-se! O teu relógio será nosso!
D: Mas como o irão dividir? O meu relógio não...
(Tiago levanta a pistola e atira ao joelho de Desconhecido, resultando na sua queda em gritos.)
D: Nããão...
(Desconhecido arrasta-se no chão numa tentativa de fugir, e entretanto é agarrado por dezenas de mãos, que lhe arrancam o relógio, resultando na morte de Desconhecido. Tiago agarra no relógio, e tenta ver as horas.)
T: Somos todos nós! Aqui!
(Faz-se um silêncio súbito. Baixa o pano.)
escreve-se porque tem de se escrever com muita tinta ou pouca tinta ou nenhuma como nesta escrita digital que por acaso tem dedos mas não tem impressões
tem expressões de mim e de mim só de mim acompanhado de mim defraudado e de mim em geral
não há nada que não tenha aquilo que eu escrevo - temos tudo nisto que escrevemos desde o sol a nascer à pedra que não pode morrer

escreve-se porque tem de se escrever com muita tinta ou pouca tinta ou nenhuma como nesta escrita digital que por acaso tem dedos mas não tem impressões

tem expressões de mim e de mim só de mim acompanhado de mim defraudado e de mim em geral

não há nada que não tenha aquilo que eu escrevo - temos tudo nisto que escrevemos desde o sol a nascer à pedra que não pode morrer


“Sejamos directos. Não gosto de Luís. Não da forma como ele fala comigo, nem dos poucos modos que demonstra no trato em geral. Luís para mim é um traste da pior espécie, e surpreende-me que não haja maior controlo de qualidade no fabrico da espécie humana.
Custa-me engolir tamanha grandeza luisiana em cada gesto, cada acto da sua vontade. Não é sequer mastigável esta presunção desmedida de D. Luís, Rei de si, e todos de si.
Luís é insuportável, intratável. Mais, Luís é impossível, inconcebível.
Por isso é uma ilusão. Luís não existe, e digo-o literalmente. Não por estar farto de Luís, mas por qualquer menção ao seu nome resvalar para uma indagação sobre o sentido do Universo.
Se Luís existisse, as partículas sub atómicas disparariam tiros contra o seu nome, as letras de todos os livros seriam mercenárias pela cabeça presa ao seu corpo. A existência de Luís despoletaria anticorpos universais. Um triângulo de Penrose é Luís, e nem estou a contar com o que ouvi por terceiros.
Filosofem à vontade, mas Luís é Luís, e isso fecha a grande volta ao mundo sobre este assunto. Luís é Luís.
Luís é Luís.
Por isso, o meu mundo e o de Luís não coexistem. Na verdade, nunca sequer ouvi falar de Luís.
Nunca ouvi falar de mais ninguém para além de mim, Luís.
Eu e o espelho de mim não se conjuga na primeira pessoa do plural.
A minha singularidade é ímpar, estou sozinho e longe de Luís, e assim sou só com o verbo ser.
Matei o estar, parti o espelho. Fiquei sem óculos.”

“Sejamos directos. Não gosto de Luís. Não da forma como ele fala comigo, nem dos poucos modos que demonstra no trato em geral. Luís para mim é um traste da pior espécie, e surpreende-me que não haja maior controlo de qualidade no fabrico da espécie humana.

Custa-me engolir tamanha grandeza luisiana em cada gesto, cada acto da sua vontade. Não é sequer mastigável esta presunção desmedida de D. Luís, Rei de si, e todos de si.

Luís é insuportável, intratável. Mais, Luís é impossível, inconcebível.

Por isso é uma ilusão. Luís não existe, e digo-o literalmente. Não por estar farto de Luís, mas por qualquer menção ao seu nome resvalar para uma indagação sobre o sentido do Universo.

Se Luís existisse, as partículas sub atómicas disparariam tiros contra o seu nome, as letras de todos os livros seriam mercenárias pela cabeça presa ao seu corpo. A existência de Luís despoletaria anticorpos universais. Um triângulo de Penrose é Luís, e nem estou a contar com o que ouvi por terceiros.

Filosofem à vontade, mas Luís é Luís, e isso fecha a grande volta ao mundo sobre este assunto. Luís é Luís.

Luís é Luís.

Por isso, o meu mundo e o de Luís não coexistem. Na verdade, nunca sequer ouvi falar de Luís.

Nunca ouvi falar de mais ninguém para além de mim, Luís.

Eu e o espelho de mim não se conjuga na primeira pessoa do plural.

A minha singularidade é ímpar, estou sozinho e longe de Luís, e assim sou só com o verbo ser.

Matei o estar, parti o espelho. Fiquei sem óculos.”

6:30 a.m.

Durante inúmeros inícios de semana acordei quando queria simplesmente porque podia. 

Mudaram-se os tempos e o que parecia ser fartura deu lugar a uma disciplina matinal que tem crescido lentamente e com prazer. No entanto não me serve de nada dizer que alcancei este grande feito sozinha. Foi preciso mudar de cidade, mudar de casa e acumular mais um emprego para passar a levantar-me cedo, bem cedo… toda a santa e abençoada Segunda-feira.

Este novo e simples ritual deu lugar ao gentil deleite que é ver in loco o nascer do Sol, ou como reaprendo a dizer bem cedo pela manhã, “o nascer de uma nova semana que tem tudo para ser inigualável”. 
 

(A fotografia abaixo eternizou a reforma.)